A gratidão faz bem ao coração?

A gratidão faz bem ao coração?

Estudo revela que a gratidão pode atenuar as consequências fisiológicas negativas do stress e melhorar globalmente os resultados cardiovasculares, tendo-se observado numa amostra de 912 participantes que, quanto maior é a predisposição para apreciar o que há de bom no mundo, menor é a probabilidade de sofrer enfarte agudo do miocárdio.

Todos os anos nos Estados Unidos estima-se que 660 mil pacientes sofrem pela primeira vez um enfarte do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, e que 1 em cada 7 mortes se deve a esta doença. Constatando-se que a taxa de ocorrência de enfarte do miocárdio tem vindo a aumentar, os investigadores apelam a políticas e intervenções eficazes em termos de custos, de modo a cumprir o objetivo das Nações Unidas de, até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis.

Neste contexto, a gratidão, enquanto traço de personalidade, é entendida como a predisposição para notar e apreciar o que há de bom no mundo e tem sido identificada como uma área de intervenção potencialmente útil e de baixo custo. Investigações recentes encontraram evidências de que a gratidão, sendo uma construção psicológica positiva, como o otimismo, um propósito na vida e os pensamentos positivos, pode desempenhar um papel importante na saúde cardiovascular e na modulação da resposta cardiovascular ao stress agudo.

No âmbito de um estudo longitudinal apoiado pela Fundação BIAL, Brian Leavy, Brenda H. O'Connell e Deirdre O'Shea avaliaram a relação entre o traço de gratidão e o enfarte agudo do miocárdio numa amostra 912 participantes, de 35 a 86 anos, em que 32.9% sofriam de hipertensão e 9.6% de diabetes. Os participantes completaram um protocolo laboratorial normalizado de testes de stress cardiovascular e responderam a um questionário para avaliação do traço de gratidão, tendo sido avaliados num segundo momento, em média 6.7 anos mais tarde.

No artigo Heart rate reactivity mediates the relationship between trait gratitude and acute myocardial infarction, publicado na revista científica Biological Psychology, os investigadores das Universidades de Maynooth e de Limerick (Irlanda) revelam uma potencial ligação entre a gratidão e a reatividade cardiovascular, que poderá ser um mecanismo através do qual a gratidão contribui para a redução do risco de enfarte do miocárdio.

O estudo concluiu que a reatividade da frequência cardíaca mediou significativamente a relação entre o traço de gratidão e a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio. Um traço de gratidão mais elevado foi associado a uma menor probabilidade de sofrer um enfarte agudo do miocárdio 6.7 anos mais tarde, através de alterações na reatividade da frequência cardíaca, mesmo quando controlada a idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), escolaridade, tensão arterial elevada e diabetes.

De acordo com Brian Leavy, “os resultados obtidos forneceram-nos mais provas de que as emoções positivas, como a gratidão, estão associadas a melhores resultados em termos de saúde, particularmente na promoção da saúde cardiovascular”.

Saiba mais sobre o projeto “287/18 - More thankful, less stressed? Gratitude and physiological reactions to stress” aqui.

 

 


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